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Coluna do Bozzo IV

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COLUNA DO BOZZO BARRETTI IV

Logo que saí do Capital fui trabalhar com uma produtora de Publicidade (por ironia do destino) e acabei me tornando um sócio desta que foi uma das maiores produtoras do Brasil: Vice-Versa. Junto com Sá (do Sá, Rodrix e Guarabyra) trabalhamos em muitos Jingles e criei muitas trilhas, também. Nesse ambiente você tem que se adaptar a tudo, tem que gravar de tudo, se informar de tudo o que acontece, copiar várias coisas e adaptá-las com uma nova cara. Uma continuação do aprendizado que tinha tido nos Bailes. De Sertanejo de raiz a música Erudita, de Samba a Rock Progressivo, de MPB a Axé, enfim, tudo é possível neste universo. Ou você faz, ou você não faz e está fora.

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Paralelamente, reeditei uma Banda que havia montado pouco antes de começar a tocar com o Capital: Ausgang. Ela foi criada na Alemanha (em 1985) quando fazíamos uma turnê com Arrigo Barnabé. Só tocávamos música instrumental, mas bastante pesada. Na reedição, pesamos mais ainda, a ponto de chamarmos de Trash Jazz. Era tudo muito complexo e muito pesado, mas agora ainda tinha um vocal gutural  que rasgava o tempo todo. Fizemos poucas apresentações, tivemos duas faixas lançadas numa compilação do selo Tinitus e paramos a Banda.

 

sacomaniPouco tempo depois com o surgimento dos Mamonas Assassinas, fiz uma demo com as minhas músicas de humor que eu compunha e sempre compus por gostar demais de humor e gostar de associar música a isso. Reuni músicas de mais de 15 anos e fiz a demo, mas tragicamente eles sofreram aquele acidente. O produtor Arnaldo Sacomani insistiu em lançar um produto e me chamou pra por a voz guia do disco. Com a “chamada” voz guia ele negociou com 3 grandes gravadoras, fazendo um verdadeiro leilão com aquilo que lhe parecia ser a galinha dos ovos de ouro. Da noite pro dia me tornei o cantor de uma Banda chamada: Pino Solto (meu alter ego pra essas músicas era Toco Pino Solto). Não deu em nada porque o mercado estava triste demais pra encampar uma nova ideia de músicas de humor. Bom pra mim, que me sentia tão incomodado com a situação que usávamos máscaras pra que ninguém soubesse quem era.

Voltavam a me chamar pra gravar, produzir, arranjar e o mercado estava tomado pelos sertanejos. Grandes nomes me chamavam, mas, por puro preconceito, não aceitava os convites.

leandroeleonardo

Algum tempo depois e algum dinheiro a menos, aceitei um convite e fui gravar com Leandro e Leonardo. Descobri que todos os maiores músicos de estúdio estavam envolvidos nisso. Que todos os maiores engenheiros de som e todos os maiores estúdios estavam ali, também. Que todas as gravadoras estavam apostando nisso e todo dinheiro estava ali. Todas as melhores produções estavam ali. Se precisasse de uma orquestra pra tocar numa simples faixa romântica, ali estava a orquestra... e eu tenho uma profunda paixão por orquestra, principalmente o setor de cordas. Me pagavam pra aprender a melhorar a minha escrita musical. Como é bom te pagarem pra estudar e desenvolver sua capacidade profissional.

Comecei a atuar e transformar possíveis faixas candidatas a 14ª faixa do CD em músicas de trabalho e gerar muito sucesso pros artistas. E a minha aproximação com eles foi grande. Todos tinham o maior carinho pelo roqueiro que fazia arranjos pra eles,  sem preconceito. Ganhei o respeito e a amizade de todos. Acabei descobrindo um dos maiores talentos que eu tenho: servir as pessoas e usar o meu dom pra transformar uma pedra bruta em algo bonito a vista destas mesmas pessoas. Basta você querer ajudar e não se fechar numa ostra e se abrir pra possíveis novidades, mesmo que elas não sejam sua paixão: o importante é fazer um trabalho que convença você mesmo e todos irão gostar, também. Tem que trabalhar séria e apaixonadamente, independente do estilo que vá atuar(coisas que aprendi na publicidade e com um grande amigo, Reinaldo Barriga, que me disse: se você vai assinar um trabalho, faça o seu melhor!!!). É isso! Ao menos você não vai ser criticado por negligência.

Hoje posso dizer que se existe alguma coisa que eu não saiba fazer, estou aberto a tentar. Tudo é um desafio. Por mais que pareça simples tocar, compor, arranjar músicas altamente populares, existe alguma magia, alguma ciência que só os iniciados sabem desenvolver bem.

Neste tempo ainda produzi Trilhas Sinfônicas para a Cultura FM de São Paulo, onde tive que escrever com estilos de diferentes autores da música erudita, passando por: Monteverdi, Mozart, Tchaicovsky, Beethoven, Debussy, Stravinsky, Villa Lobos, entre outros. É um grande desafio e um grande exercício que exige bastante conhecimento sobre todos os períodos e estilos de compositores de música erudita, pois o músico sinfônico é um dos mais preconceituosos e convence-los é uma tarefa difícil. Faço trilhas para a TV Ra-Tim-Bum(outra adoração: a música voltada para o público infantil!)

A experiência me permitiu produzir de Fat Family a CD infantil de Gugu Liberato(!!!), sem perder o foco e dando suporte a todos estes artistas.
fat family divulgacion 450x 

diretoria3
 
 

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